terça-feira, 20 de maio de 2008

Maíra Rosa

De madrugada
uma fada insana atira-me na rima
Em verso propaga uma angústia e lágrimas
e voa em mente...
E cria e renasce a cada poente

De madrugadaa poetisa me guia
de vida vadia é puta contente
só atisa carniça entre os dentes
De madrugada a louca me fala
e canta e menteé tão indescente
e cai, se levanta
num compasso asco de estrela cadente

De madrugada a bêbada cala
vomita a vida
eleva o nada
deita e rodopia sem ter sido amada
De madrugadaa índia se abriga
num mundo só de lua vazia
e grita sussura
esperando mais gente
De madrugada outra mulher é que fala
sem eira nem beirade boca molhada
Seus olhos entorpencem até breu de estrada
De madrugada é que a arte trancende
para cima dos poros me rege ardente
E suga minh'alma
num grito demente anestesio e calo
mas fico contente

(Maíra Rosa- Séc XXI)